quarta-feira, 2 de novembro de 2016

"Gasoline"

Eu poderia fazer uma sopa
soprar e rir
de escritos
mal feitos e mesquinhos palavrões
feitos de macarrão.
Poderia fazer uma canja
pra quando o frio ousasse chegar perto dos seus pés
e pra quando você estivesse doente
para longas conversas
chocolate quente
E nos dias compridos
chá de casca de limão
suco de abacaxi com hortelã
Para os fins de semana
margaritas para o jantar
mas tudo que há sobre a mesa
são facas e pratos vazios
porque eu sou desse tipo de gente

O tipo de gente
que sente saudade sua
como um puxão por debaixo da mesa
pra perder um beijo pra você
sem você estar lá

Saudade nossa
é uma coceira leve nas bochechas
que imita o teu sorriso cretino

Eu não sou do tipo de gente
que faz listas sem motivo
que escreve poemas doces
que falam de amores dóceis
feitos de sombra e brisas que copulam brandas
com as copas das árvores longe do chão.
Alguém já disse que tudo é sobre sexo, menos o sexo,
sexo é sobre poder.

Há uma sombra que persegue
uma mancha no meu olho
que faz querer complicar sempre tudo na forma mais simples
Eu não quero ir pra sua casa
têm dias que eu não troco de ideia
eu nem passo em mim
Eu saio de qualquer jeito
porque sou assim e como cada um de nós ninguém me nota
eu sou um patético reflexo no qual me reconheço
Não é que não me sinta culpada, mas não peço desculpas
Eu moro n'outro alguém.



"Sou talvez a visão que Alguém sonhou, 
Alguém que veio ao mundo pra me ver 
E que nunca na vida me encontrou! "



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